segunda-feira, 19 de novembro de 2012

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

02/11/2012, 35 semanas, nossa história pintada na barriga: João Felipe razão principal, mamãe modelo, desenho da Paty Bortoloto e colorido do Papai artista mais lindo do mundo :)






De histórias, sonhos e sementes.

(Lorena Tavares)

Tive um avô mineiro que gostava de causos e histórias, mas que não tinha plateia. Teve somente um rótulo cravado: era preguiçoso, não gostava de trabalhar. Só gostava de contar causos e prosear.

Esperto era ele. Contar histórias é uma arte. Os outros é que não entendiam essa história de só querer contar histórias...

Um dia me veio em sonho e me pediu que contasse um pouquinho das suas histórias pra própria família, que não quis ser ouvinte, que não era artista. 

Ouvir também é uma arte difícil...

Contei, e nesse dia tiveram que me ouvir, porque a emoção rasgava o momento em que ele não estava mais presente. 
Ah, nessa hora ele deve ter dado uma imensa gargalhada... Pois eu fui  o puxão de orelha que faltava pra ligar a história de um avô a uma família sem ouvidos.

Depois disso,  ele ainda me vem, de vez em quando, e me faz olhar pra tantos idosos com histórias e sem ouvintes, pra tantas crianças sem histórias, sem passado e sem futuro. 
Falta quem promova esse encontro, o que relacione...  o artista no meio, o semeador.

Relacionar e relacionar-se é uma arte. De todas as artes, o encontro é a maior delas. 
E pro meu avô eu contei:  eu quero ser essa artista! 

Uma artista que pesque essa historia nas nuvens e a deixe chover, como as ideias. Se as histórias não chovem, são só ideias. Se as ideias não chovem e não viram sementes, são só nuvens de sonhos.

Pois essa artista sonhadora achou um lugar onde deixam as ideias choverem e semearem, virarem árvores encantadas, frondosas  
Achou um lugar onde a semente e a árvore cresceram, se encantaram. Sob sua sombra dançam cirandas, crianças e histórias.

Assim  pretendo caminhar. Uma artista semeadora que caminhe devagar entre rumos diferentes, que consiga encontrar-se no meio, relacionando, puxando a ciranda, semeando as histórias de uns e os sonhos de outros.

Aqui, deixei chover a minha história e planto a minha semente, espero germinar em mim essa nova dança, essa nova vida. 

Daqui a seis meses, plantinha brotando no chão, engatinho e aprendo a cirandar. Daqui a 10 anos,  árvore encantada, ajudando a semear novos sonhos...

(TCC do Curso de Ouvidores e Contadores de Histórias do Instituto História Viva - Curitiba, 13/11/2012)